
“Acredito no Deus de Espinosa, revelado na harmonia de tudo o que existe, mas não em um Deus que se preocupa com o destino e as ações dos homens”. Albert Einstein (Telegrama para um jornal judaico datado de 1929.)
Quando penso nessa frase ainda sinto um certo vazio, um sentimento de abandono, talvez seja esse o preço a ser pago por se libertar dos modelos tradicionais de se ver Deus.
Crer em um Deus que está em tudo, mas não realiza nossas vontades e desejos, que não precisamos servi-lo e nem ele a nós pode parecer inútil para vida prática.
Então estamos sozinhos aqui?
Não podemos contar com a ajuda divina?
Pode até parecer puro instinto de sobrevivência que nos momentos de dor, tribulação e desespero se não pudermos crer em uma saída, mesmo que irracional, não conseguiríamos continuar a viver.
Esse “crer” nos dá uma sobrevida, nos permite continuar por mais um tempo, porém isso me parece uma contradição, quanto mais imediatista e materialista que se possa ser, maior tem que ser essa capacidade de se crer, se precisa de algo rápido e grande tem que “acreditar” muito.
Talvez o caso não seja “crer”, e sim sentir, não se faz necessário acreditar naquilo que já se sente.
Vejo Deus como um relógio sem o ponteiro de segundos, para saber se funciona é necessário observá-lo por um certo tempo e assim perceber a sutileza de seu movimento.
Escrito por Thinker às 15h21
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